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DEMÊNCIAS
Podemos definir a demência como um declínio
global e progressivo da memória, do intelecto, da
crítica e da personalidade. Podemos, com mais propriedade,
considerar a demência como uma síndrome de
perda adquirida das funções cognitivas, de
alterações no comportamento e perda de funções
sociais.Graças à melhora das condições
sanitárias e de cuidados com a saúde, o tempo
de vida médio do ser humano vai sendo aumentado
e com este aumento um maior número de indivíduos
atinge a idade onde o surgimento das demências é mais
provável. Na população de 40 anos
a ocorrência é de apenas 0,1%, número
que aumenta para 25 a 50% nos que têm acima de 85
anos.
Para termos uma idéia da extensão do problema
podemos mencionar que os Estados Unidos tem atualmente
6 milhões de pessoas afetadas pelas demências
e o custo de apenas uma das formas de demência, a
doença de Alzheimer, é calculado em 67 bilhões
de dólares anualmente.
Todos nós teremos que conviver com o problema de
alguma forma e é muito importante o conhecimento
que possibilita uma maneira mais objetiva e menos pessimista
de encarar o problema.
As principais causas são:
1. Corticais (com alterações na camada mais
superficial do cérebro, o córtex cerebral)
• doença de Alzheimer
• degeneração frontotemporal, que inclui:
• abuso de álcool/drogas
2. Subcorticais (com alterações na camada abaixo do córtex
cerebral)
• demência por múltiplos infartos
• doença de Parkinson
• paralisia supranuclear progressiva
• doença de Huntigton
• hidrocefalia de pressão normal
• demência relacionada a AIDS
3. Cortico-subcorticais (com alteração tanto no córtex
quanto
nas camadas abaixo dele)
• demência vascular
• demência com corpúsculos de Lewy
• degeneração corticobasal
4. Generalizada
• doenças por príon, incluindo a doença de Creutzfeldt-Jakob
(doença da vaca-louca)
5. Outras
• tóxico-metabólicas incluindo:
- hipotireoidismo
- deficiência de vitamina B12
- drogas/metais
• infecções incluindo neuro-sifilis
• traumatismos cranianos
As desordens demenciais atingem principalmente pessoas que são idosas
ou muito idosas. Aos 40 anos apenas 0,1% apresentam sinais e sintomas da síndrome
demencial. Entre os que têm acima de 65 anos o número sobe para
5-8% . Acima de 75 anos a proporção atinge 15-20% e acima de 85
anos vai para 25-50%.
Estudos feitos com métodos diferentes mostram uma relação
consistente entre a ocorrência da demência e a faixa etária.
A cada cinco anos de avanço na idade, a taxa de ocorrência é duplicada.
A doença de Alzheimer é a mais comum.
O estágio inicial dura de dois a quatro anos e levanta a suspeita diagnóstica
em função de confusão de nomes e lugares, dificuldade de
lembrar o que se quer lembrar, dificuldade de tomar decisões, dificuldade
de lidar com dinheiro e outras situações da vida cotidiana. Surge
ansiedade elevada em função dos sintomas e tendência de evitar
as pessoas.
O segundo estágio pode durar de dois a dez anos após a suspeita
diagnóstica. Os pacientes apresentam falhas de memória mais acentuadas
e maior confusão, inquietação, dificuldade de reconhecer
familiares e amigos, problemas com a linguagem, com o pensamento lógico,
com a percepção e alterações nos relacionamentos
sociais.
O estágio final pode durar de um a três anos com dificuldade até de
saber quem se é; ocorrem graves defeitos na linguagem e comunicação,
há oscilações de humor com apatia e irritabilidade, agitação,
dificuldade de deglutição, tônus muscular aumentado e podem
ocorrer convulsões.
Nem todos os pacientes apresentam esta seqüência de estágios
e há uma variação muito grande na velocidade de progressão
da enfermidade.
As diferenças entre uma pessoa com demência e outra com sinais de
envelhecimento normal podem ser muito sutis, principalmente com a demência
nos estágios iniciais. Estima-se que mesmo que pacientes com início
de demência sejam levados às consultas médicas há uma
falha no reconhecimento da condição variando de 20 a 70% das oportunidades
de estabelecer uma suspeita diagnóstica.
É
muito comum as pessoas, principalmente as mais velhas, esquecerem o nome de alguém
e depois lembrar, esquecerem onde colocaram as chaves do carro e depois conseguem
encontrá-las. As pessoas com demência fazem estes esquecimentos
com elevada frequência e não conseguem, mesmo com esforço,
recuperar as informações desejadas e, às vezes, os familiares
encontram as chaves que estavam sendo procuradas na geladeira ou no açucareiro.
Com o avanço da demência vai ficando claro que os pacientes não
apresentam apenas falhas na memória, mas que o julgamento, o sentido crítico
da pessoa está alterado. A pessoa parece agir irresponsavelmente e sem
adequação ao ambiente, não demostrando nenhuma preocupação
de como suas decisões podem afetar o ambiente ou outras pessoas. Vestem
várias camisas ou usam roupas sujas sem nenhum embaraço. Nesta
altura fica muito claro que a pessoa não apresenta os sinais do envelhecimento
normal. Algo muito diferente e grave está ocorrendo e já não é difícil
suspeitar de uma demência.
Quando o médico recebe um paciente que está apresentando declínio
de duas ou mais das capacidades intelectuais: memória, cálculos,
linguagem, capacidade crítica, planejamento seqüencial, abstração
e manipulação viso-espacial, ele inicia um processo de exclusão
das enfermidades que podem ter a demência como uma de suas manifestações.
Uma vez feita esta eliminação o médico conclui que o paciente
apresenta demência e nada mais. As manifestações clínicas
orientam o diagnóstico de qual pode ser o quadro demencial.
Não há exames específicos e testes que ajudem nesta tarefa.
Tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética podem
contribuir, bem como exames de laboratório. Muitas vezes o diagnóstico
só pode ser comprovado após a morte do paciente com a realização
de exames microscópicos do cérebro.
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