Transtorno Afetivo Bipolar

O Transtorno Bipolar (TB) é caracterizado por alterações de humor que se manifestam como episódios depressivos alternando-se com episódios de euforia (também denominados de mania), em diversos graus de intensidade. Diferentemente dos altos e baixos normais pelos quais passam todas as pessoas, os sintomas do transtorno bipolar são graves. Eles podem ocasionar danos aos relacionamentos, desempenho insuficiente no trabalho ou na escola e até mesmo suicídio.

A base genética do TB é bem estabelecida: 50% dos portadores apresentam pelo menos um familiar afetado, e filhos de portadores apresentam risco aumentado de apresentar a doença, quando comparados com a população geral.

O TB acarreta incapacitação e grave sofrimento para os portadores e suas famílias. 

A mortalidade dos portadores de TB é elevada, e o suicídio é a causa mais freqüente de morte, principalmente entre os jovens. Estima-se que até 50% dos portadores tentem o suicídio ao menos uma vez em suas vidas e 15% efetivamente o cometem. Também doenças clínicas como obesidade, diabetes, e problemas cardiovasculares são mais freqüentes entre portadores de Transtorno Bipolar do que na população geral. A associação com a dependência de álcool e drogas não apenas é comum (41% de dependência de álcool e 12% de dependência de alguma droga ilícita), como agrava o curso e o prognóstico do TB, piora a adesão ao tratamento e aumenta em duas vezes o risco de suicídio.

O início dos sintomas na infância e na adolescência é cada vez mais descrito e, em função de peculiaridades na apresentação clínica, o diagnóstico é difícil. Não raramente as crianças recebem outros diagnósticos, o que retarda a instalação de um tratamento adequado. Isso tem conseqüências devastadoras, pois o comportamento suicida pode ocorrer em 25% dos adolescentes portadores de TB. Assim como a diabetes ou as doenças cardíacas, o transtorno bipolar é uma doença de duração longa, que tem de ser controlada cuidadosamente durante a vida da pessoa.

A alternância de estados depressivos com maníacos é a tônica dessa patologia. Muitas vezes o diagnóstico correto só será feito depois de muitos anos. Uma pessoa que tenha uma fase depressiva, receba o diagnóstico de depressão e dez anos depois apresente um episódio maníaco tem na verdade o transtorno bipolar, mas até que a mania surgisse não era possível conhecer diagnóstico verdadeiro. O termo mania é popularmente entendido como tendência a fazer várias vezes a mesma coisa. 

O transtorno bipolar causa oscilações dramáticas no humor ¾ de excessivamente “alto” (euforia e/ou irritação) à tristeza e desespero (ou vice-versa), freqüentemente com períodos de humor normal entre eles. Alterações graves na energia e no comportamento acompanham essas alterações do humor. Os períodos de altos e baixos são denominados episódios de mania e depressão. Um episódio maníaco é diagnosticado se o humor elevado ocorrer em associação a três ou mais sintomas na maior parte do dia (quadro abaixo), quase todos os dias, por 1 semana ou mais. Se o humor for de irritação, quatro sintomas adicionais devem estar presentes. 

Um episódio depressivo é diagnosticado se cinco ou mais desses sintomas durarem a maior parte do dia (quadro abaixo), quase todos os dias, por um período de 2 semanas ou mais. 

Os sinais e sintomas incluem:
• Energia e atividade aumentadas, inquietação;
• Humor excessivamente “elevado”, bom demais, eufórico;
• Irritabilidade extrema;
• Pensamento acelerado e falar muito e rapidamente, pulando de uma idéia para outra;
• Distraibilidade, não consegue se concentrar direito;
• Pouca necessidade de sono;
• Crença super-valorizadas das próprias capacidades e poderes; 
• Juízo crítico deficiente;
• Gastos excessivos;
• Um período longo de comportamento que difere do habitual;
• Aumento do impulso sexual;
• Abuso de drogas, especialmente cocaína, álcool e medicações para dormir;
• Comportamento provocador, invasivo ou agressivo;
• Negação de que há alguma coisa errada; 
• Humor triste, ansioso ou vazio duradouro;
• Sentimentos de desespero ou pessimismo;
• Sentimentos de culpa, menos valia ou impotência;
• Perda do interesse ou prazer em atividades que eram anteriormente apreciadas, incluindo sexo;
• Diminuição da energia, uma sensação de fadiga ou de estar “devagar”;
• Dificuldade de se concentrar, recordar, tomar decisões;
• Inquietação ou irritabilidade;
• Dorme demais, ou não consegue dormir;
• Alteração no apetite e/ou perda ou ganho de peso não intencional;
• Dores crônicas ou outros sintomas corporais persistentes que não são causados por doenças ou lesões físicas;
• Idéias de morte ou suicídio ou tentativas de suicídio;

A causa propriamente dita é desconhecida, mas há fatores que influenciam ou que precipitem seu surgimento como parentes que apresentem esse problema, traumas, incidentes ou acontecimentos fortes como mudanças, troca de emprego, fim de casamento, morte de pessoa querida.

Em aproximadamente 80 a 90% dos casos os pacientes apresentam algum parente na família com transtorno bipolar.

Por vezes os episódios graves de mania ou depressão podem incluir sintomas de psicose (ou sintomas psicóticos). São sintomas psicóticos comuns alucinações (ver, ouvir ou perceber de algum outro modo à presença de coisas não efetivamente presentes) e delírios (crenças falsas, mantidas com forte convicção e não influenciadas pelo raciocínio lógico nem explicadas pelos conceitos culturais habituais da pessoa). Os sintomas psicóticos no transtorno bipolar tendem a refletir o estado afetivo extremo no momento. Por exemplo, podem ocorrer durante a mania delírios de grandeza, tais como achar que é o presidente ou que tem poderes especiais ou muita riqueza; delírios de culpa ou menos valia, tais como achar que se está arruinado e sem um tostão ou cometeu algum crime terrível, podem aparecer durante a depressão. As pessoas portadoras de transtorno bipolar que têm esses sintomas são por vezes diagnosticadas incorretamente como apresentando esquizofrenia, outro transtorno mental grave. 

Pode ser útil pensar nos diversos estados afetivos como um espectro de variação contínua. Num extremo está a depressão grave, acima da qual está a depressão moderada e depois um humor triste leve, que muitas pessoas designam como “fossa” quando é de curta duração, mas denominada “distimia” quando é crônico. Há então o humor normal ou equilibrado, acima do qual vem a hipomania (mania leve a moderada) e depois a mania grave. 

Em algumas pessoas, porém, os sintomas de mania e depressão podem ocorrer juntos, no que é denominado estado bipolar misto. Os sintomas de um estado misto incluem freqüentemente agitação, dificuldade em dormir, alteração significativa no apetite, psicose e idéias de suicídio. Uma pessoa pode ter um humor muito triste e desesperado e ao mesmo tempo se sentir com muita energia.

O transtorno bipolar pode parecer ser um outro problema que não uma doença mental ¾ por exemplo, abuso de álcool ou drogas, desempenho deficiente na escola ou no trabalho ou relacionamentos interpessoais tensos. Esses problemas podem na realidade ser sinais de um transtorno afetivo subjacente.

O abuso de álcool e de drogas é muito comum em pessoas com transtorno bipolar. Achados de pesquisa sugerem que muitos fatores podem contribuir para esses problemas de abuso de drogas, incluindo a auto-medicação, sintomas afetivos ocasionados ou perpetuados pelo abuso de drogas e fatores de risco que podem influenciar a ocorrência tanto do transtorno bipolar como dos transtornos de uso de drogas. O tratamento do abuso de drogas, quando presente, é uma parte importante do plano geral de tratamento. 

Transtornos ansiosos, como o transtorno de estresse pós-traumático e o transtorno obsessivo-compulsivo, também podem ser comuns em pessoas com transtorno bipolar.

Há pacientes que só apresentam fases de mania, de exaltação do humor, e mesmo assim são diagnosticados como bipolares. O termo mania popularmente falando não se aplica a esse transtorno. Mania tecnicamente falando em psiquiatria significa apenas exaltação do humor, estado patológico de alegria e exaltação injustificada. 

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